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Post Quatro

“Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar, onde a Dona Maria mora porque ela me adora e eu sempre posso entrar. Era bem o tempo de você chegar no T, olhar no espelho seu cabelo, falar com o Seu Zé e me ver caindo em cima de você como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer.
E ai, só nós dois no chão frio, de conchinha bem no meio-fio, no asfalto riscados de giz Imagina que cena feliz. Quando os paramédicos chegassem, e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom. Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé. Na autópsia daria pra ver como eu só morri por você. Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar em vez disso eu dei meia-volta e comi uma torta inteira de amora no jantar. “
Começo esse post com uma música que muito expressa meus últimos dias. Quando notei que ele estava partindo fui dramática, me joguei do oitavo andar em mil demonstrações atrasadas de coisas que não mais faziam sentido.
Como uma bigorna amassei e sufoquei ao máximo (como se isso um dia tivesse resolvido qualquer coisa), mas nada dessas coisas são racionais, na verdade se o mundo fosse racional ele nem estaria saindo do apartamento àquela hora, ou eu não estaria me importando dele sair ou não. Mas a questão é que ele saiu do apartamento e ao contrário dos filmes não tem cena de reencontro nesse final.
Na verdade aqui só temos dois possíveis finais, a ilusão de se jogar como uma bigorna imaginando que tudo bem estar com alguém que não se importa em estar ali, vivo fisicamente, morto emocionalmente. Ou a segunda opção, dar meia volta e comer uma torta inteira de amoras no jantar.
Como vocês viram os fins são bem trágicos aqui, por isso escolhi essa música, pra dizer que não importa a minha ação, não importa o que eu resolva fazer, me jogar do oitavo andar em busca de algo que já acabou ou ficar em casa me enchendo de carboidratos, nada será deferente se ele não mudar de ideia na frente do T e resolver voltar. Sabem por que? Porque as coisas não são unilaterais.

Eu poderia continuar deitadinha no bem-bom no necrotério com o corpo de alguém que já foi Monomania, mas qual seria a graça disso? O mundo já é tão gelado e triste, precisamos de coisas que nos aqueçam em dias difíceis e os dias andam tão difíceis. Nesse caso a melhor opção é dar meia volta, colocar um par de meias e comer uma torta inteira de amoras no jantar.

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