Pular para o conteúdo principal

Post Oito

Eu pus fogo na casa outras vezes, mas foi brando. Da primeira vez foi na cozinha, acendi as cortinas e observei queimar. Quando as chamas ficaram altas me desesperei em arrependimentos e corri pra apagar.
Da segunda vez foi no quarto. Esse foi um pouco mais pesado, acendi uma vela no meio do recinto e analisei se valia a pena ou não, por fim joguei a vela preta em cima da cama e assisti novamente. Quando o quarto começou a esquentar e me sufocar me perguntei mais uma vez que diabos eu estava fazendo. Claramente ia me matar, corri pra cozinha peguei um balde de água e corri apagando a cama.
Depois de um tempo a casa estava toda destruída e eu, ridiculamente, insistindo em viver nela. A cozinha em retalhos, o quarto em cinzas, eu dormia na sala pois a cama não existia mais. 
Em meio àquele caos de destruição me perguntei: "Porquê diabos é tão difícil me livrar de coisas que não funcionam mais?". 
Me questionei sobre todo meu arsenal de coisas velhas que nunca mais usava e também não jogava fora, por carinho? Por achar que ainda havia um significado no mulambo de pano de prato queimado? Por esperar que milagrosamente a cabana de lençol se restituísse das cinzas?
Bom, dessa vez eu fiz o serviço completo, peguei gasolina e joguei em todos os cômodos da casa. Joguei primeiro no quarto moribundo e já destruído, depois no banheiro, na cozinha e no nosso sofá.

Ainda nostálgica e me perguntando se isso era o certo a se fazer, acendi um cigarro com um fósforo meio úmido e joguei o palito no chão. Primeiro observei as chamas azuis crescendo pelo chão encharcado, depois elas ficaram amarelas e altas, a fumaça começou a me sufocar, então sai da casa azul que com muito carinho construímos.
           Sentei do outro lado da rua e assisti queimar enquanto fumava um Luck Strike verde.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Post Cinco

Aleatoriamente um beija flor entrou na minha sacada em uma manhã a uns meses atrás. Inicialmente ignorei o animalzinho que ingenuamente entrou naquele apartamento pequeno e meio abafado para um mês qualquer de verão. Como não encontrou nada, nenhuma flor ou água ele partiu. No dia seguinte o pequeno iludido entrou pela sacada outra vez, ainda esperançoso e na ânsia por algo que eu não tinha a oferecer e nem iria. Ao longo dos dias o beija-flor entrava e saia do meu apartamento, não sei se por teimosia ou por burrice. Vocês podem se perguntar porque eu não tenho flores na janela como aquelas lindas sacadas, mas o fato de eu não conseguir cultivar nada pode ser discutido em outro post.  Ainda seguindo a história, em um sábado qualquer, passando pela floricultura resolvi comprar um suporte daqueles floridos de plástico, depois de tanta insistência do animalzinho ele merecia minha atenção. Cheguei em casa, preparei a solução aquosa de glicose em uma concentração quase analítica,...

Às 02:50 am

    Bom dia? Nem tão bom, pode parecer que sou uma estudante nata, que passo madrugadas a fio lendo livros, apostilas, resenhas, blah, blah, blah... Sinto dizer: eu não faço isso. Na verdade só estou acordada até essa hora fazendo uma apresentação de Slide pelo simples fato de ter passado o dia todo morgando.     A verdade é que tem semanas que não leio um livrinho se quer de psicologia, nem qualquer outro. Até hoje não terminei o apanhador de sonhos , o pacto , anjos e demônios , e outros. Estou com uns 5 livros pela metade, um que eu comecei a escrever - Alice, você vai ter que esperar- , uma porrada de provas e um seminário sobre  a depressão.     E ao invés de fazer tudo que tenho pra fazer, estava assistindo Harry Potter e a Ordem da Fênix e agora estou escrevendo esse post. Por que a verdade é que: quando se tem algo pra fazer, algo chato, como fazer slides, até o sexo das moscas parece mais interessante. Isso se chama desvio de atenção,...

Entrevistando o Tempo

Bom, depois da confição do Amor, decidi aproveitar a viagem e procurar o Tempo e perguntar porque o amor é assim. É sério por que eles tem que morar aqui encima? É alto! e as nuvens não são de algodão doce. - Olá Tempo, eu sou LiLLy dona do Blog Confições de uma Adolescente em Crise, e queria fazer algumas perguntas sobre o amor. - Bom dia LiLLy , o Amor? O que ele fez desta vez? - Ah! Só o de sempre, iludindo adolescentes... Porque ele é assim? - O amor é um caso perdido sabe... fiz de tudo, mas ele nasceu assim, acho que a mãe mimou demais, sabe filho caçula . Ele nunca teve o menor respeito pela vida dos outros, sempre foi rebelde... - Coloca ele de castigo! - Ele vive de castigo. Já pensei em tirar o Dom dele, mas já imaginou o mundo sem o Amor? De repente parei pra pensar nisso, realmente por mais que as vezes a gente queira matar ele a verdade é que sem o Amor não somos nada... - O que me resta é arrumar a bagunça que ele faz - disse o Tempo me fitando - não se pr...