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Postagens

Post Onze

Amar você é o maior desserviço que eu poderia fazer na minha vida. Eu sei que é errado, conheço todas as nuances desse drama juvenil, conheço todos os trágicos sentimentos que o envolvem, conheço toda história vivida, tenho tudo em minha memória, escrito em minha pele. O problema é que vai além do que eu posso controlar, além do que eu posso coordenar. Sentir isso me faz pensar em coisas além da minha compreensão e crenças. Sentir isso me faz pensar que em algum momento em algum contrato lá em cima eu tenha assinado e concordado com os termos de uso sem nem ao menos ler, e me faz ter uma vontade absurda de socar minha própria cara. Não quero nada disso, quero que isso suma de vez, mas aparentemente querer realmente nunca foi poder. Você está cantado em minhas noites antes de dormir, me atormentando em momentos de baixa guarda. E quanto mais eu procuro sentido nessa palhaçada mais difícil se torna acreditar que um dia ela irá passar. De veras a dor se tornou menor, ou talvez q...

Post Dez

Você está em cima do muro, sentado de short preto cheio de pelos de gato e eu? Bom, eu estou na grama do lado de cá te olhando com lagrimas e dramas. Do outro lado tem sua próxima decisão. Não tem como eu dizer como ela é, até porque por mais que eu a imagine a única pessoa que realmente consegue vê-la é você que ainda está pendurado em cima do maldito muro. Por mais que eu esteja te chamando, cantando nossa love song e me jogando em prantos no chão, suas duas pernas já estão do outro lado do muro e você de costas pra mim, meio que me vê, meio que finge me ignorar, meio que tenta me ignorar. Não vou mais te julgar por não ter virado de volta e escolhido pular do meu lado, os motivos que te fizeram subir no muro e olhar o outro lado são muito maiores do que os que te fariam voltar. Então não, eu nunca mais irei te julgar por descer do outro lado do muro, se a grama era mais verde ou se tinha um grande pé de seriguela abarrotado de frutas eu jamais saberei e realmente não import...

Post Nove

Dois dias. Dois dias foi o tempo que consegui ficar eufórica e feliz por ter me livrado de você. Dois foi o tempo que consegui olhar pros pássaros e acreditar que tudo ficaria bem, esse foi o tempo que me iludi com essa ideia. Nesses dois dias falei louca e exaustivamente sobre o quão ruim você era, sobre como você não merecia meu doce, bugado, e doentio amor. Nesses dois dias estive exaustivamente me ocupando de uma novela mexicana de péssimo roteiro que eu mesma criei. A dois dias atrás eu fiz algo que nunca fiz na vida e nunca deveria ter feito. Mas como bem sabemos o espírito impulsivo sempre foi uma das coisas que temos em comum. Poderia dizer que desci do salto, mas a realidade é que com você eu nunca usei salto, com você eu sempre andei descalço (mesmo você achando que não). Poderia dizer que me rebaixei, mas essa afirmação é tão óbvia quanto qualquer coisa que eu venha escrever nesse texto inútil. Sabe aqueles filmes de guerra que você sempre amou? Aqueles da vida real...

Post Oito

Eu pus fogo na casa outras vezes, mas foi brando. Da primeira vez foi na cozinha, acendi as cortinas e observei queimar. Quando as chamas ficaram altas me desesperei em arrependimentos e corri pra apagar. Da segunda vez foi no quarto. Esse foi um pouco mais pesado, acendi uma vela no meio do recinto e analisei se valia a pena ou não, por fim joguei a vela preta em cima da cama e assisti novamente. Quando o quarto começou a esquentar e me sufocar me per guntei mais uma vez que diabos eu estava fazendo. Claramente ia me matar, corri pra cozinha peguei um balde de água e corri apagando a cama. Depois de um tempo a casa estava toda destruída e eu, ridiculamente, insistindo em viver nela. A cozinha em retalhos, o quarto em cinzas, eu dormia na sala pois a cama não existia mais.  Em meio àquele caos de destruição me perguntei: "Porquê diabos é tão difícil me livrar de coisas que não funcionam mais?".  Me questionei sobre todo meu arsenal de coisas velhas que nunca mais usava ...

Post Sete

Esperança! Ah a esperança. Esse pequeno sentimento que nos segura nas horas difíceis onde não vemos mais nenhum caminho ou sentido. Esse sentimento que nos mantém seguindo e construindo esse mundo aleatório e vida confusa na ânsia de que um dia tudo fará sentido, na ânsia de acreditar em um amanhã melhor. O que seria do mundo sem esperança? Não estou questionando sua importância na construção do universo e necessidade na sociedade, não caros leitores essa esperança, ainda que ilusória faz bem e é necessária. Hoje venho lhes apresentar a esperança ruim, a esperança doentia, aquela pequena mutação genética, a esperança errada. Mas por que errada? Imaginem que você comprou suas sementes transgênicas de soja pra começar sua linda plantação de comodites. Sua soja genericamente modificada possui marcadores que produzem enzimas capazes de degradar as moléculas do agrotóxico utilizado pra matar insetos, outras plantas, pequenos animais e até mesmo você. Entretanto, bem no meio da sua pl...

Post Seis

Eu sou tóxica bebê. Você dúvida? Te desafio a estar ao meu lado por algum tempo, não só estar ao meu lado. Te desafio a gostar de mim e me fazer gostar de você. Inicialmente tudo é lindo e rosas, na sequência da tragédia grega eu faço você se sentir infinitamente mal por motivos que ao meu ver são plausíveis e coerentes, não que os motivos sejam banais. Na verdade os motivos de eu fazer você se sentir mal são bem fortes e reais, muitas pessoas diriam que passiveis de se causar sofrimento, mas meu senso de sempre achar que estou certa não vem ao caso, muito menos meu dedo podre muito discutido entre amigos. Esse post é sobre a minha toxicidade. Eu sou tipo o elemento químico rádio que antes da descoberta da radioatividade era utilizado como corante para relógios por ser fluorescente e ter uma linda cor esverdeada. Quem não adora um relógio fluorescente? O problema foi os efeitos adversos de seu uso, assim como o Rádio eu causo náuseas, vômitos, seguidos de diarreia, dores de cabeça...

Post Cinco

Aleatoriamente um beija flor entrou na minha sacada em uma manhã a uns meses atrás. Inicialmente ignorei o animalzinho que ingenuamente entrou naquele apartamento pequeno e meio abafado para um mês qualquer de verão. Como não encontrou nada, nenhuma flor ou água ele partiu. No dia seguinte o pequeno iludido entrou pela sacada outra vez, ainda esperançoso e na ânsia por algo que eu não tinha a oferecer e nem iria. Ao longo dos dias o beija-flor entrava e saia do meu apartamento, não sei se por teimosia ou por burrice. Vocês podem se perguntar porque eu não tenho flores na janela como aquelas lindas sacadas, mas o fato de eu não conseguir cultivar nada pode ser discutido em outro post.  Ainda seguindo a história, em um sábado qualquer, passando pela floricultura resolvi comprar um suporte daqueles floridos de plástico, depois de tanta insistência do animalzinho ele merecia minha atenção. Cheguei em casa, preparei a solução aquosa de glicose em uma concentração quase analítica,...