quarta-feira, 26 de julho de 2017

Post Seis

Eu sou tóxica bebê. Você dúvida? Te desafio a estar ao meu lado por algum tempo, não só estar ao meu lado. Te desafio a gostar de mim e me fazer gostar de você. Inicialmente tudo é lindo e rosas, na sequência da tragédia grega eu faço você se sentir infinitamente mal por motivos que ao meu ver são plausíveis e coerentes, não que os motivos sejam banais.
Na verdade os motivos de eu fazer você se sentir mal são bem fortes e reais, muitas pessoas diriam que passiveis de se causar sofrimento, mas meu senso de sempre achar que estou certa não vem ao caso, muito menos meu dedo podre muito discutido entre amigos.
Esse post é sobre a minha toxicidade. Eu sou tipo o elemento químico rádio que antes da descoberta da radioatividade era utilizado como corante para relógios por ser fluorescente e ter uma linda cor esverdeada. Quem não adora um relógio fluorescente? O problema foi os efeitos adversos de seu uso, assim como o Rádio eu causo náuseas, vômitos, seguidos de diarreia, dores de cabeça e febre, além de fortes dores emocionais e tendência a ouvir músicas badvibes.
Outro efeito recorrente de quem é exposto a mim é a constante alteração entre block/unblock das redes sociais, em geral quem está profundamente contaminado oscila bastante entre esses dois estados, mas ai o pessoal me pergunta “mas porque você é assim?”
Meus leitores amados assim como não sabemos se existe vida após a morte ou se o Brasil um dia será livre da corrupção, a origem da minha toxicidade é desconhecida, poderia eu tentar resolvê-la? Oh God knows I’m trying, mas assim como entender a utilidade de um spinner retirar tanta radioatividade de meu núcleo instável é quase que impossível de se tornar um lindo bário ou sódio, não sem me partir em vários decaimentos emanado radiação pra todos os lados.

Por fim concluo que não há conclusões, ser tóxica não é algo que eu queria, apenas algo que aconteceu, algo que tento fugir de ser. Logo aos intoxicados ou aos que ainda sim se aventuram em me conhecer deixo meu aviso de “DANGER ☠” e recomendo o uso de EPI’s.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Post Cinco

Aleatoriamente um beija flor entrou na minha sacada em uma manhã a uns meses atrás. Inicialmente ignorei o animalzinho que ingenuamente entrou naquele apartamento pequeno e meio abafado para um mês qualquer de verão. Como não encontrou nada, nenhuma flor ou água ele partiu.
No dia seguinte o pequeno iludido entrou pela sacada outra vez, ainda esperançoso e na ânsia por algo que eu não tinha a oferecer e nem iria. Ao longo dos dias o beija-flor entrava e saia do meu apartamento, não sei se por teimosia ou por burrice. Vocês podem se perguntar porque eu não tenho flores na janela como aquelas lindas sacadas, mas o fato de eu não conseguir cultivar nada pode ser discutido em outro post. 
Ainda seguindo a história, em um sábado qualquer, passando pela floricultura resolvi comprar um suporte daqueles floridos de plástico, depois de tanta insistência do animalzinho ele merecia minha atenção.
Cheguei em casa, preparei a solução aquosa de glicose em uma concentração quase analítica, coloquei no suporte e pendurei na sacada. Na manhã seguinte ele apareceu e meio que sentindo o cheiro ou vendo a cor chamativa daquele negócio se deleitou no doce. Ele me pareceu feliz e de repente eu me senti feliz por ele estar ali me fazendo companhia todas as manhãs.
Os meses se passaram e certo dia ele não veio mais. Primeiro pensei que algo tinha acontecido, um gato poderia tê-lo feito de refeição ou um gavião, essa ideia me deixou muito triste e chorei. Depois de um tempo me convenci de que na verdade ele havia encontrado uma casa melhor com um açúcar mais doce, quem sabe água ou um ninho. Essa segunda ideia também me fez chorar.
Mas qual a mensagem por traz dessa pequena fábula? Não tem mensagem, é só isso. Aleatoriamente coisas boas acontecem, não tem um “porquê” do beija-flor ter escolhido a minha sacada e jamais saberei o motivo dele insistir por tantos dias. “Mas porque ele foi embora?” Isso é outra pergunta sem resposta, pode ser que ele tenha morrido. É muito possível. Ou pode ser que ele apenas tenha decidido não mais me visitar.
Ao longo da vida isso acontece tantas vezes que a gente perde as contas, tantas coisas simplesmente vem e vão sem nenhum “porquê”. Coisas que você não sabia que queria ou que um dia fosse sentir falta, elas vem e vão.
Jamais pensei em ter uma ave silvestre como mascote (já sim, uma coruja) e quando ele entrou na minha vida eu simplesmente o ignorei, mas depois de um tempo ele simplesmente se tornou querido, seja pela insistência ou estupidez.

Fico feliz pelos momentos de felicidade que tive ao receber suas visitas matutinas, mas meu pragmatismo e negativismo fazem eu me perguntar “Por que esse beija-flor entrou na minha janela, me fez gostar dele pra nunca mais voltar?”, “Melhor seria se nunca tivesse acontecido?”, “E se minha janela estivesse fechada aquele dia?”, “Deveria ter fechado”.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Post Quatro

“Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar, onde a Dona Maria mora porque ela me adora e eu sempre posso entrar. Era bem o tempo de você chegar no T, olhar no espelho seu cabelo, falar com o Seu Zé e me ver caindo em cima de você como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer.
E ai, só nós dois no chão frio, de conchinha bem no meio-fio, no asfalto riscados de giz Imagina que cena feliz. Quando os paramédicos chegassem, e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom. Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé. Na autópsia daria pra ver como eu só morri por você. Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar em vez disso eu dei meia-volta e comi uma torta inteira de amora no jantar. “
Começo esse post com uma música que muito expressa meus últimos dias. Quando notei que ele estava partindo fui dramática, me joguei do oitavo andar em mil demonstrações atrasadas de coisas que não mais faziam sentido.
Como uma bigorna amassei e sufoquei ao máximo (como se isso um dia tivesse resolvido qualquer coisa), mas nada dessas coisas são racionais, na verdade se o mundo fosse racional ele nem estaria saindo do apartamento àquela hora, ou eu não estaria me importando dele sair ou não. Mas a questão é que ele saiu do apartamento e ao contrário dos filmes não tem cena de reencontro nesse final.
Na verdade aqui só temos dois possíveis finais, a ilusão de se jogar como uma bigorna imaginando que tudo bem estar com alguém que não se importa em estar ali, vivo fisicamente, morto emocionalmente. Ou a segunda opção, dar meia volta e comer uma torta inteira de amoras no jantar.
Como vocês viram os fins são bem trágicos aqui, por isso escolhi essa música, pra dizer que não importa a minha ação, não importa o que eu resolva fazer, me jogar do oitavo andar em busca de algo que já acabou ou ficar em casa me enchendo de carboidratos, nada será deferente se ele não mudar de ideia na frente do T e resolver voltar. Sabem por que? Porque as coisas não são unilaterais.

Eu poderia continuar deitadinha no bem-bom no necrotério com o corpo de alguém que já foi Monomania, mas qual seria a graça disso? O mundo já é tão gelado e triste, precisamos de coisas que nos aqueçam em dias difíceis e os dias andam tão difíceis. Nesse caso a melhor opção é dar meia volta, colocar um par de meias e comer uma torta inteira de amoras no jantar.

domingo, 2 de julho de 2017

Post Três

Você já foi chamado de estrela? Em algum momento alguém já te disse ou você já se sentiu uma? Pois sabia que todos nós somos, é verdade, aquela frase clichê de que todos somos poeira estrelar é um fato científico, explico.
As estrelas são formadas de hidrogênio em altíssima pressão e temperatura, cerca de 340 bilhões de ATMs e 15.000.000° C, isso no nosso sol que em escala cósmica é meio insignificante, mas dá pra ter uma noção do que acontece por lá. Com toda essa pressão e temperatura os átomos de hidrogênio se fundem formando átomos de hélio, lítio, berílio, boro, carbono e afins. Quando a estrela começa a criar ferro ela se torna instável e densa, entrando em colapso, em alguns casos ela se expande queimando tudo que há a sua volta e morre. Sim, estrelas morrem!
Mas como já dizia a esposa de Lavosier, nada se perde, nada se cria, portanto ela pode ter alguns fins, um deles é explodir em grande energia e poeira cósmica cheia de elementos como carbono, nitrogênio e oxigênio que estão onde? Isso mesmo em cada um de nós, ou seja, cada elemento presente em nossa formação já esteve em alguma estrela perdida no tempo espaço.
                Mas na verdade o foco desse texto são os outros possíveis fins para uma estrela, um deles é se tornar uma Aña branca, pequena, serena e estável, só ataca se chegarem muito perto. Outro desfecho para nossa linda estrela colapsada é se tornar um black hole, um terrível e ameaçador sugador de luz e matéria. Mas porque estou escrevendo sobre estrelas e afins?
Hoje me chamaram de buraco negro.


sábado, 24 de junho de 2017

Post Dois

Faço rodízio pra desabafar com as pessoas, não quero que elas se cansem. Parece algo altruísta, mas é apenas eu usando outras pessoas como produtos farmacológicos. Mas quem são essas pessoas?
Primeiro foram amigos próximos, mas eles sempre tinham o problema chato de querer resolver minhas neuras ou tentar me acalmar, então acabei por descarta-los. Em seguida veio os colegas distantes, mas eles nem sempre tem paciência ou tempo pra ouvir uma chuva de lamurias infernais. Na sequência vieram os ex-peguetes que apesar de muito sem paciência ainda fingem ouvir na esperança de alguma chance, mas ai fica insuportável o como sempre terminam a me convidar pra sair.
Teve uma fase até onde aleatoriamente estranhos eram o ombro de apoio para crises existenciais, mas ai eles deixam de ser estranhos na segunda lamuria e passam pra categoria 2, colegas distantes. Hoje me retenho a escrever, isso parece o mais certo a se fazer, visto que assim não estou despejando minhas tristezas e bobagens em ninguém – desde que ninguém leia.

Mas as vezes a gente escreve coisas que precisam ser lidas, mas por quem? Quem será a próxima vítima desse poço de chatice? Não sei. Talvez eu adote o esquema anterior e faça um rodizio de leitores, onde cada um receba um texto apenas, sem respostas, sem interação. Apenas um texto para ler e esquecer. Pode ser uma boa, o que acham?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Post Um


Talvez seja isso, isso mesmo! Talvez eu deva voltar a escrever! A situação emocional anda uma zona e meus mecanismos de controle de ansiedade e tristeza não podem ser mais usados, logo o melhor que posso fazer é voltar a escrever. E cá vos escrevo meus amigos telespectadores que espero nunca existirem. Lhes escrevo em letra Calibri tamanho 11 e se por acaso esse texto recorrer a outras fontes saibam que minha ansiedade o fez.
Há algum tempo notei que sou uma pessoa má. Não uma pessoa má qualquer, uma pessoa meio sadomasoquista que tanto gosta de sentir tristeza quanto proporciona-la a outros seres ao meu redor, logo vocês vem a pensar que sou um ser humano sozinho e abandonado, bom não é bem assim. Na verdade sou, mas é mais pelo fato de achar as pessoas extremamente previsíveis e chatas, mas isso falo logo. 
Algumas pessoas são meio que como eu, gostam de uma leve dose diária de tristeza, não sei como explicar, talvez a tristeza seja como o cigarro – que recentemente me prendi - que mesmo matando causa uma sensação boa quando tragada, uma leve queda de pressão. Ah, meus caros leitores, se não o fosse a indústria cinematográfica não ganharia tanto com dramas, Adele estaria desempregada e Nicolas Sparks teria sido preso. A verdade é essa, todos gostamos de leves doses de tristeza. Mas o meu problema está ai, explico.
Enquanto que leves doses são coisas comuns administradas com cautela e bem pensadas meu outro vício a ansiedade me faz ser uma viciada em heroína consumindo a tristeza como se o amanhã não importasse. Ah! A ansiedade, essa amiguinha recém descoberta me faz dar grandes doses de tristeza aos que me cercam, mas como eu disse lá atrás, não são muitos que me cercam. Na verdade em específico apenas uma pessoa realmente me cerca ultimamente, ou cercava. Eu sei que ninguém quer ler sobre romance aqui - e ninguém irá ler -, esse post não é sobre romance e sim sobre mim e minha capacidade de afastar as pessoas, portanto é necessário que se diga.
As doses de tristeza que ando aplicando na pessoinha que é ou não aquela palavra com “n” – vamos chamar de Naples – foram demasiadamente altas. Como sabemos quando alguém se vicia em alguns tipos de drogas os primeiros sintomas são euforia, felicidade, vontade de fazer coisas. Em seguida temos a dependência e dependência aguda, nessas fases iniciais a pessoa não consegue identificar mudanças de comportamento ou o que está lhe destruindo aos poucos, nessa fase as coisas são boas, as leves doses de tristeza são bem aceitas e levadas sem muitas baixas.
Na terceira fase temos sempre um grande acontecimento ruim, no caso seu primo viciado em heroína rouba um DVD de casa ou leva a aposentadoria da vovó. Nessa, nota-se que algo não está certo, o próprio indivíduo nota que tem problemas. Então esse indivíduo tem duas opções, lutar contra ou ignorar que está doente, em geral todos nós ignoramos que estamos doentes ou viciados em qualquer coisa – sim, você é viciado em candy crush –, mas infelizmente nosso coleguinha Naples conseguiu ver que estava com problemas, mais do que isso, ele conseguiu identificar a fonte e iniciar o programa de tratamento. Mas onde eu entro e por que “infelizmente”?
Vocês estão perdidos? Eu sei, é difícil entender tudo em metáforas, leva um tempo pra se acostumar, mas já, já vocês entendem.
Nessa história eu entro como traficante também viciada apaixonada pelo drogado, parece ruim? E é. Eu vendo a droga, eu quero e preciso que ele compre, mas ele decidiu que não quer mais usar isso e ter um relacionamento com a dona da boca não é muito produtivo na sua busca pela luz e paz espiritual, portanto Naples não quer mais doses de tristeza, ai entra o “infelizmente”.
Eu, dona do morro de Logo Ali me afundei mais no poço de vício e sem Naples. O que me dizem? Eu já sei! “Se Naples vale a pena largue a boca, faça reabilitação e fique com ele! Simples!”. Meus caros leitores, eu não sou apenas uma traficante, eu sou a dona da porra toda, não é fácil sair, não é fácil terminar com o vício. Mas sim! Naples vale a pena e estou a tentar, mas meu telefone ainda toca com pessoas querendo mais drogas, as vezes em noites frias e sozinha – Naples foi embora – tenho recaídas e me vejo ouvindo Adele e Lana Del Rey.
Não é fácil, eu sei. Mas Naples não se importa mais, até porque agora ele está bem melhor, sem nenhum vício, apenas leves e nostálgicos tremores. Às vezes Naples diz:
- I like you and I want to be with you, but not now. Now I’m so busy and tired, I don’t have space for this shit right now, okay? But I like you and sometimes I really miss you. Oh, I’m sorry I have to go, I have a party now, some new friends. Bye.

Então eu resolvi escrever, escrever e escrever. Por que agora eu estou me sentindo bastante sozinha e meio high com a dose que me injetei hoje. Eu sei que vocês não querem ler isso, eu também não gostaria. Mas escrever ajudou, então muito obrigada pela sua atenção. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Às 02:50 am

    Bom dia? Nem tão bom, pode parecer que sou uma estudante nata, que passo madrugadas a fio lendo livros, apostilas, resenhas, blah, blah, blah... Sinto dizer: eu não faço isso. Na verdade só estou acordada até essa hora fazendo uma apresentação de Slide pelo simples fato de ter passado o dia todo morgando.
    A verdade é que tem semanas que não leio um livrinho se quer de psicologia, nem qualquer outro. Até hoje não terminei o apanhador de sonhos, o pacto, anjos e demônios, e outros. Estou com uns 5 livros pela metade, um que eu comecei a escrever - Alice, você vai ter que esperar-, uma porrada de provas e um seminário sobre  a depressão.
    E ao invés de fazer tudo que tenho pra fazer, estava assistindo Harry Potter e a Ordem da Fênix e agora estou escrevendo esse post. Por que a verdade é que: quando se tem algo pra fazer, algo chato, como fazer slides, até o sexo das moscas parece mais interessante. Isso se chama desvio de atenção, o que infelizmente eu tenho.
    Bom, já que são 02:59 am, agora e esse slide não vai se criar sozinho, receio que minha partida seja mais que necessária. Por fim deixo um recado pra Senhorita Granger: se eu fosse bruxa também leria Hogwarts, uma história.



3 beijos sabor soninho,
eu amo magia.