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Mostrando postagens de 2017

Post Nove

Dois dias. Dois dias foi o tempo que consegui ficar eufórica e feliz por ter me livrado de você. Dois foi o tempo que consegui olhar pros pássaros e acreditar que tudo ficaria bem, esse foi o tempo que me iludi com essa ideia. Nesses dois dias falei louca e exaustivamente sobre o quão ruim você era, sobre como você não merecia meu doce, bugado, e doentio amor. Nesses dois dias estive exaustivamente me ocupando de uma novela mexicana de péssimo roteiro que eu mesma criei. A dois dias atrás eu fiz algo que nunca fiz na vida e nunca deveria ter feito. Mas como bem sabemos o espírito impulsivo sempre foi uma das coisas que temos em comum. Poderia dizer que desci do salto, mas a realidade é que com você eu nunca usei salto, com você eu sempre andei descalço (mesmo você achando que não). Poderia dizer que me rebaixei, mas essa afirmação é tão óbvia quanto qualquer coisa que eu venha escrever nesse texto inútil. Sabe aqueles filmes de guerra que você sempre amou? Aqueles da vida real

Post Oito

Eu pus fogo na casa outras vezes, mas foi brando. Da primeira vez foi na cozinha, acendi as cortinas e observei queimar. Quando as chamas ficaram altas me desesperei em arrependimentos e corri pra apagar. Da segunda vez foi no quarto. Esse foi um pouco mais pesado, acendi uma vela no meio do recinto e analisei se valia a pena ou não, por fim joguei a vela preta em cima da cama e assisti novamente. Quando o quarto começou a esquentar e me sufocar me per guntei mais uma vez que diabos eu estava fazendo. Claramente ia me matar, corri pra cozinha peguei um balde de água e corri apagando a cama. Depois de um tempo a casa estava toda destruída e eu, ridiculamente, insistindo em viver nela. A cozinha em retalhos, o quarto em cinzas, eu dormia na sala pois a cama não existia mais.  Em meio àquele caos de destruição me perguntei: "Porquê diabos é tão difícil me livrar de coisas que não funcionam mais?".  Me questionei sobre todo meu arsenal de coisas velhas que nunca mais usava

Post Sete

Esperança! Ah a esperança. Esse pequeno sentimento que nos segura nas horas difíceis onde não vemos mais nenhum caminho ou sentido. Esse sentimento que nos mantém seguindo e construindo esse mundo aleatório e vida confusa na ânsia de que um dia tudo fará sentido, na ânsia de acreditar em um amanhã melhor. O que seria do mundo sem esperança? Não estou questionando sua importância na construção do universo e necessidade na sociedade, não caros leitores essa esperança, ainda que ilusória faz bem e é necessária. Hoje venho lhes apresentar a esperança ruim, a esperança doentia, aquela pequena mutação genética, a esperança errada. Mas por que errada? Imaginem que você comprou suas sementes transgênicas de soja pra começar sua linda plantação de comodites. Sua soja genericamente modificada possui marcadores que produzem enzimas capazes de degradar as moléculas do agrotóxico utilizado pra matar insetos, outras plantas, pequenos animais e até mesmo você. Entretanto, bem no meio da sua pl

Post Seis

Eu sou tóxica bebê. Você dúvida? Te desafio a estar ao meu lado por algum tempo, não só estar ao meu lado. Te desafio a gostar de mim e me fazer gostar de você. Inicialmente tudo é lindo e rosas, na sequência da tragédia grega eu faço você se sentir infinitamente mal por motivos que ao meu ver são plausíveis e coerentes, não que os motivos sejam banais. Na verdade os motivos de eu fazer você se sentir mal são bem fortes e reais, muitas pessoas diriam que passiveis de se causar sofrimento, mas meu senso de sempre achar que estou certa não vem ao caso, muito menos meu dedo podre muito discutido entre amigos. Esse post é sobre a minha toxicidade. Eu sou tipo o elemento químico rádio que antes da descoberta da radioatividade era utilizado como corante para relógios por ser fluorescente e ter uma linda cor esverdeada. Quem não adora um relógio fluorescente? O problema foi os efeitos adversos de seu uso, assim como o Rádio eu causo náuseas, vômitos, seguidos de diarreia, dores de cabeça

Post Cinco

Aleatoriamente um beija flor entrou na minha sacada em uma manhã a uns meses atrás. Inicialmente ignorei o animalzinho que ingenuamente entrou naquele apartamento pequeno e meio abafado para um mês qualquer de verão. Como não encontrou nada, nenhuma flor ou água ele partiu. No dia seguinte o pequeno iludido entrou pela sacada outra vez, ainda esperançoso e na ânsia por algo que eu não tinha a oferecer e nem iria. Ao longo dos dias o beija-flor entrava e saia do meu apartamento, não sei se por teimosia ou por burrice. Vocês podem se perguntar porque eu não tenho flores na janela como aquelas lindas sacadas, mas o fato de eu não conseguir cultivar nada pode ser discutido em outro post.  Ainda seguindo a história, em um sábado qualquer, passando pela floricultura resolvi comprar um suporte daqueles floridos de plástico, depois de tanta insistência do animalzinho ele merecia minha atenção. Cheguei em casa, preparei a solução aquosa de glicose em uma concentração quase analítica, col

Post Quatro

“Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar, onde a Dona Maria mora porque ela me adora e eu sempre posso entrar. Era bem o tempo de você chegar no T, olhar no espelho seu cabelo, falar com o Seu Zé e me ver caindo em cima de você como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer. E ai, só nós dois no chão frio, de conchinha bem no meio-fio, no asfalto riscados de giz Imagina que cena feliz. Quando os paramédicos chegassem, e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom. Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé. Na autópsia daria pra ver como eu só morri por você. Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar em vez disso eu dei meia-volta e comi uma torta inteira de amora no jantar. “ Começo esse post com uma música que muito expressa meus últimos dias. Quando notei que ele estava partindo fui dramática, me joguei

Post Três

Você já foi chamado de estrela? Em algum momento alguém já te disse ou você já se sentiu uma? Pois sabia que todos nós somos, é verdade, aquela frase clichê de que todos somos poeira estrelar é um fato científico, explico. As estrelas são formadas de hidrogênio em altíssima pressão e temperatura, cerca de 340 bilhões de ATMs e 15.000.000° C, isso no nosso sol que em escala cósmica é meio insignificante, mas dá pra ter uma noção do que acontece por lá. Com toda essa pressão e temperatura os átomos de hidrogênio se fundem formando átomos de hélio, lítio, berílio, boro, carbono e afins. Quando a estrela começa a criar ferro ela se torna instável e densa, entrando em colapso, em alguns casos ela se expande queimando tudo que há a sua volta e morre. Sim, estrelas morrem! Mas como já dizia a esposa de Lavosier, nada se perde, nada se cria , portanto ela pode ter alguns fins, um deles é explodir em grande energia e poeira cósmica cheia de elementos como carbono, nitrogênio e oxigênio que

Post Dois

Faço rodízio pra desabafar com as pessoas, não quero que elas se cansem. Parece algo altruísta, mas é apenas eu usando outras pessoas como produtos farmacológicos. Mas quem são essas pessoas? Primeiro foram amigos próximos, mas eles sempre tinham o problema chato de querer resolver minhas neuras ou tentar me acalmar, então acabei por descarta-los. Em seguida veio os colegas distantes, mas eles nem sempre tem paciência ou tempo pra ouvir uma chuva de lamurias infernais. Na sequência vieram os ex-peguetes que apesar de muito sem paciência ainda fingem ouvir na esperança de alguma chance, mas ai fica insuportável o como sempre terminam a me convidar pra sair. Teve uma fase até onde aleatoriamente estranhos eram o ombro de apoio para crises existenciais, mas ai eles deixam de ser estranhos na segunda lamuria e passam pra categoria 2, colegas distantes. Hoje me retenho a escrever, isso parece o mais certo a se fazer, visto que assim não estou despejando minhas tristezas e bobagens em n

Post Um

Talvez seja isso, isso mesmo! Talvez eu deva voltar a escrever! A situação emocional anda uma zona e meus mecanismos de controle de ansiedade e tristeza não podem ser mais usados, logo o melhor que posso fazer é voltar a escrever. E cá vos escrevo meus amigos telespectadores que espero nunca existirem. Lhes escrevo em letra Calibri tamanho 11 e se por acaso esse texto recorrer a outras fontes saibam que minha ansiedade o fez. Há algum tempo notei que sou uma pessoa má. Não uma pessoa má qualquer, uma pessoa meio sadomasoquista que tanto gosta de sentir tristeza quanto proporciona-la a outros seres ao meu redor, logo vocês vem a pensar que sou um ser humano sozinho e abandonado, bom não é bem assim. Na verdade sou, mas é mais pelo fato de achar as pessoas extremamente previsíveis e chatas, mas isso falo logo.  Algumas pessoas são meio que como eu, gostam de uma leve dose diária de tristeza, não sei como explicar, talvez a tristeza seja como o cigarro – que recentemente me prend