sábado, 24 de junho de 2017

Post Dois

Faço rodízio pra desabafar com as pessoas, não quero que elas se cansem. Parece algo altruísta, mas é apenas eu usando outras pessoas como produtos farmacológicos. Mas quem são essas pessoas?
Primeiro foram amigos próximos, mas eles sempre tinham o problema chato de querer resolver minhas neuras ou tentar me acalmar, então acabei por descarta-los. Em seguida veio os colegas distantes, mas eles nem sempre tem paciência ou tempo pra ouvir uma chuva de lamurias infernais. Na sequência vieram os ex-peguetes que apesar de muito sem paciência ainda fingem ouvir na esperança de alguma chance, mas ai fica insuportável o como sempre terminam a me convidar pra sair.
Teve uma fase até onde aleatoriamente estranhos eram o ombro de apoio para crises existenciais, mas ai eles deixam de ser estranhos na segunda lamuria e passam pra categoria 2, colegas distantes. Hoje me retenho a escrever, isso parece o mais certo a se fazer, visto que assim não estou despejando minhas tristezas e bobagens em ninguém – desde que ninguém leia.

Mas as vezes a gente escreve coisas que precisam ser lidas, mas por quem? Quem será a próxima vítima desse poço de chatice? Não sei. Talvez eu adote o esquema anterior e faça um rodizio de leitores, onde cada um receba um texto apenas, sem respostas, sem interação. Apenas um texto para ler e esquecer. Pode ser uma boa, o que acham?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Post Um


Talvez seja isso, isso mesmo! Talvez eu deva voltar a escrever! A situação emocional anda uma zona e meus mecanismos de controle de ansiedade e tristeza não podem ser mais usados, logo o melhor que posso fazer é voltar a escrever. E cá vos escrevo meus amigos telespectadores que espero nunca existirem. Lhes escrevo em letra Calibri tamanho 11 e se por acaso esse texto recorrer a outras fontes saibam que minha ansiedade o fez.
Há algum tempo notei que sou uma pessoa má. Não uma pessoa má qualquer, uma pessoa meio sadomasoquista que tanto gosta de sentir tristeza quanto proporciona-la a outros seres ao meu redor, logo vocês vem a pensar que sou um ser humano sozinho e abandonado, bom não é bem assim. Na verdade sou, mas é mais pelo fato de achar as pessoas extremamente previsíveis e chatas, mas isso falo logo. 
Algumas pessoas são meio que como eu, gostam de uma leve dose diária de tristeza, não sei como explicar, talvez a tristeza seja como o cigarro – que recentemente me prendi - que mesmo matando causa uma sensação boa quando tragada, uma leve queda de pressão. Ah, meus caros leitores, se não o fosse a indústria cinematográfica não ganharia tanto com dramas, Adele estaria desempregada e Nicolas Sparks teria sido preso. A verdade é essa, todos gostamos de leves doses de tristeza. Mas o meu problema está ai, explico.
Enquanto que leves doses são coisas comuns administradas com cautela e bem pensadas meu outro vício a ansiedade me faz ser uma viciada em heroína consumindo a tristeza como se o amanhã não importasse. Ah! A ansiedade, essa amiguinha recém descoberta me faz dar grandes doses de tristeza aos que me cercam, mas como eu disse lá atrás, não são muitos que me cercam. Na verdade em específico apenas uma pessoa realmente me cerca ultimamente, ou cercava. Eu sei que ninguém quer ler sobre romance aqui - e ninguém irá ler -, esse post não é sobre romance e sim sobre mim e minha capacidade de afastar as pessoas, portanto é necessário que se diga.
As doses de tristeza que ando aplicando na pessoinha que é ou não aquela palavra com “n” – vamos chamar de Naples – foram demasiadamente altas. Como sabemos quando alguém se vicia em alguns tipos de drogas os primeiros sintomas são euforia, felicidade, vontade de fazer coisas. Em seguida temos a dependência e dependência aguda, nessas fases iniciais a pessoa não consegue identificar mudanças de comportamento ou o que está lhe destruindo aos poucos, nessa fase as coisas são boas, as leves doses de tristeza são bem aceitas e levadas sem muitas baixas.
Na terceira fase temos sempre um grande acontecimento ruim, no caso seu primo viciado em heroína rouba um DVD de casa ou leva a aposentadoria da vovó. Nessa, nota-se que algo não está certo, o próprio indivíduo nota que tem problemas. Então esse indivíduo tem duas opções, lutar contra ou ignorar que está doente, em geral todos nós ignoramos que estamos doentes ou viciados em qualquer coisa – sim, você é viciado em candy crush –, mas infelizmente nosso coleguinha Naples conseguiu ver que estava com problemas, mais do que isso, ele conseguiu identificar a fonte e iniciar o programa de tratamento. Mas onde eu entro e por que “infelizmente”?
Vocês estão perdidos? Eu sei, é difícil entender tudo em metáforas, leva um tempo pra se acostumar, mas já, já vocês entendem.
Nessa história eu entro como traficante também viciada apaixonada pelo drogado, parece ruim? E é. Eu vendo a droga, eu quero e preciso que ele compre, mas ele decidiu que não quer mais usar isso e ter um relacionamento com a dona da boca não é muito produtivo na sua busca pela luz e paz espiritual, portanto Naples não quer mais doses de tristeza, ai entra o “infelizmente”.
Eu, dona do morro de Logo Ali me afundei mais no poço de vício e sem Naples. O que me dizem? Eu já sei! “Se Naples vale a pena largue a boca, faça reabilitação e fique com ele! Simples!”. Meus caros leitores, eu não sou apenas uma traficante, eu sou a dona da porra toda, não é fácil sair, não é fácil terminar com o vício. Mas sim! Naples vale a pena e estou a tentar, mas meu telefone ainda toca com pessoas querendo mais drogas, as vezes em noites frias e sozinha – Naples foi embora – tenho recaídas e me vejo ouvindo Adele e Lana Del Rey.
Não é fácil, eu sei. Mas Naples não se importa mais, até porque agora ele está bem melhor, sem nenhum vício, apenas leves e nostálgicos tremores. Às vezes Naples diz:
- I like you and I want to be with you, but not now. Now I’m so busy and tired, I don’t have space for this shit right now, okay? But I like you and sometimes I really miss you. Oh, I’m sorry I have to go, I have a party now, some new friends. Bye.

Então eu resolvi escrever, escrever e escrever. Por que agora eu estou me sentindo bastante sozinha e meio high com a dose que me injetei hoje. Eu sei que vocês não querem ler isso, eu também não gostaria. Mas escrever ajudou, então muito obrigada pela sua atenção.