quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Post Oito

Eu pus fogo na casa outras vezes, mas foi brando. Da primeira vez foi na cozinha, acendi as cortinas e observei queimar. Quando as chamas ficaram altas me desesperei em arrependimentos e corri pra apagar.
Da segunda vez foi no quarto. Esse foi um pouco mais pesado, acendi uma vela no meio do recinto e analisei se valia a pena ou não, por fim joguei a vela preta em cima da cama e assisti novamente. Quando o quarto começou a esquentar e me sufocar me perguntei mais uma vez que diabos eu estava fazendo. Claramente ia me matar, corri pra cozinha peguei um balde de água e corri apagando a cama.
Depois de um tempo a casa estava toda destruída e eu, ridiculamente, insistindo em viver nela. A cozinha em retalhos, o quarto em cinzas, eu dormia na sala pois a cama não existia mais. 
Em meio àquele caos de destruição me perguntei: "Porquê diabos é tão difícil me livrar de coisas que não funcionam mais?". 
Me questionei sobre todo meu arsenal de coisas velhas que nunca mais usava e também não jogava fora, por carinho? Por achar que ainda havia um significado no mulambo de pano de prato queimado? Por esperar que milagrosamente a cabana de lençol se restituísse das cinzas?
Bom, dessa vez eu fiz o serviço completo, peguei gasolina e joguei em todos os cômodos da casa. Joguei primeiro no quarto moribundo e já destruído, depois no banheiro, na cozinha e no nosso sofá.

Ainda nostálgica e me perguntando se isso era o certo a se fazer, acendi um cigarro com um fósforo meio úmido e joguei o palito no chão. Primeiro observei as chamas azuis crescendo pelo chão encharcado, depois elas ficaram amarelas e altas, a fumaça começou a me sufocar, então sai da casa azul que com muito carinho construímos.
           Sentei do outro lado da rua e assisti queimar enquanto fumava um Luck Strike verde.

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